domingo, 15 de novembro de 2009

A cor da poesia

Poesia branca no vapor que escorre pelo espelho.
Imagem distorcida do que uma dia se transformou.
O brilho dos seus olhos não se acha mais,
a força de seu sorriso se esvaiu,
forçado,
minguante...
e sua alma manchada
presencia um largo corte entre a mão e braço.

Poesia vermelha que escorre pelo ralo.
Mancha de carmim que se espalha no azulejo,
sugando de vez o ar que o sustenta lembrando:
inocência no fundo do quintal,
amor descartável
prazeres usados, mastigados e jogados no lixo...
e sua alma manchada
presencia um largo corte entre a mão e o braço.

Poesia negra que escorre pelo olhar.
Pupila dilatada sem euforia.
Coração acelerado sem paixão.
Um gosto amargo que sobe a boca:
_ Eu só queria não sentir o que eu sinto, me desculpe Mãe
palavras machucam mais que um punhal,
agora é tarde para se arrepender,
e sua alma manchada
presencia um largo corte entre a mão e braço.

Já não há mais poesia.
Só resta o silêncio...





e alma imaculada
presencia o largo corte ...



...das correntes.

4 comentários:

Giih... disse...

amei essa poesia. Ela é realmente linda.
Parabéns"
")

Renato disse...

Oi Giih!!
Que bom te ver por aqui.
Obrigado! e que bom que vc gostou da poesia.

Um grande bjo para vc!

Luiza disse...

Puxa...intenso hem!!
Não posso negar que mexeu bastante comigo, sabe que sua volta deu uma reviravolta nos meus neurônios, se é que eles existem ainda...
Vc escreve demais (acho maravilhoso). Demoro um tempão para conseguir entrar aqui, consigo, leio essa maravilha e agora não sei o que dizer, ai que raiva!! Travou tudo...
Bjs, fica com Deus, amei vc estar aqui novamente.

Renato disse...

Oi Luiza!
Não precisa se preocupar em dizer alguma coisa não, vc já disse tdo que alguém que escreve mais gosta de ouvir, que de alguma forma mexeu com vc, mas espero que tenha sido por algo positivo.

Um grande bjo!