quinta-feira, 31 de julho de 2008

Imaginação ou realidade?


Era uma vez
Um sábio chinês
Que um dia sonhou
Que era uma borboleta

Voando nos campos
Pousando nas flores
Vivendo assim
Um lindo sonho

Até que um dia acordou
E pro resto da vida
Uma dúvida lhe acompanhou:

Se ele era um sábio chinês
Que sonhou que era uma borboleta,
Ou se era uma borboleta sonhando
Que era um sábio chinês
(Conto do Sábio Chinês, Raul Seixas)


Vivemos num sonho ou sonhamos com a vida?

terça-feira, 22 de julho de 2008

Do outro lado do muro


Uma vez, conversando com um amigo, fui surpreendido com a seguinte questão: Por que você é tão sozinho se a solidão te faz tão mal?( Não precisam torcer o nariz não que desta vez o assunto é outro) Bem, na hora a pergunta me pegou desprevenido e assumo que cheguei a gaguejar ( não no sentido literal porque pelo msn não tem como) e tropeçando nas palavras respondi mal e porcamente para ele. Porém, apesar da conversa ter acabado por ali, esta pergunta continuou martelando em minha cabeça, até tentei responder alguma coisa no post "Como Sempre, Solidão!" mas não foi o suficiente para acalmar as marteladas em minha cabeça. Nem sei se agora será, mas pelo menos tenho a certeza que mais uma peça desse quebra cabeça está sendo colocada no seu lugar. Hoje num lapso de inteligência consegui perceber que a solidão está relacionada com fatos que vivi e que mais uma vez tentei esquecer mas que surtiu o efeito contrário. Por favor, este texto não tem nada a ver em querer me fazer de vítima e criar uma pose de coitadinho, pois pena foi feita para as aves. A solidão que vocês já devem estar cansados de ler em meus textos, não é uma coisa que decidi para mim, mas são fatos que com o tempo foram se acumulando dentro de mim formando esta barreira que me separa do mundo a minha volta. São demônios que foram tomando conta de mim e que preciso exorcizá-los. Confuso? Talvez, mas paciência estou tentando um jeito de dizer o que aconteceu sem parecer que estou me vitimizando( detesto esta palavra). Sei que não sou o único, não fui o primeiro e nem serei o último a passar pelo que passei ( e sei que ainda vou passar), por isso mesmo venho até aqui expor um pedaço de minha vida, para quem sabe possa abrir os olhos de alguma pessoa que passou ou que passa o mesmo que passei( pretensioso é pouco). Bem, depois de tanta enrolação pseudofilosófica vou direto ao assunto. Poderia citar aqui um monte de fatos que fizeram com que eu criasse essa barreira, mas vou me ater apenas a alguns que julgo mais importante.
1º Por volta de 8 anos foi erguida a base que seria o alicerce para começar a construção deste muro. Confiei em uma pessoa que não só traiu minha confiança mas que usou ela para satisfazer seus desejos mais sórdidos.
2º Tive uma adolescência que julgava tranquila, cheia de "amigos", pessoas que considerava, que admirava, que batia no peito para dizer que era um AMIGO e que de uma hora para outra me diz na minha cara que eu era um babaca, que todos riam de mim de tão ridículo que eu era. Isso porque era meu meu melhor AMIGO.
3º Quando em total desespero diante da solidão resolvi pedir ajuda a alguém que julgava ser o mais importante para mim, o que recebi foi um olhar de "tá e o que eu tenho a ver com isso?".
4º E para finalizar, já na era virtual, ser totalmente iludido com amizades que falavam em admiração e amor, mas que num clicar do mouse simplesmente desapareceram sem me dar o direito de explicação ou simplesmente fingem que eu não existo se esquecendo do poder que tem as palavras.
Bem, era ai que eu queria chegar. O muro que criei ao meu redor me fazendo aprisionado junto a solidão não foi algo que eu dividi que seria assim, ele tem paredes bem concretas que forma colocadas ao longo desta miserável vida de interesses vãos. Não meus caros leitores (olha como sou chique já tenho até leitores), não estou aqui reclamando das desventuras que a vida coloca em nosso caminho, estou apenas teorizando sobre o que seria a resposta certa ao meu amigo e quem sabe, por um acaso, nem que se for por um breve acaso, talvez ajudar alguém a enxergar que a solidão muitas vezes é uma barreira que foi construída muito lentamente mas que quando você consegue entender como ela foi construída, você também pode descobrir como derrubá-la.


O que vcs acham?

domingo, 20 de julho de 2008

Durma medo meu


Todo o chão se abre
No escuro, se acostuma
Às vezes a coragem é como quando a nova lua
Somos a discórdia
E o perdão
E nos esquecemos da cor que tinha o céu, assim
Como a saudade
Ou uma frase perdida
Durma, Medo Meu
Durma, Medo Meu
Hmmm, não
Às vezes um "não sei"
Janela, madrugada, luz tardia
E o medo nos acorda
Pára e bate o coração
Em pura disritmia
O medo amedronta o medo
Vela, madrugada, dia, assim
Como a saudade
Ou uma frase perdida
Durma, Medo Meu
Durma, Medo Meu
(Teatro Mágico)

Um dia ainda encontro um medicamento que faça meu medo dormir, só ele. Nem que seja por uma noite apenas, por um pequeno instante, o suficiente para que eu possa pelo menos ter a coragem de tomar a inciativa de acabar com essa solidão.

sábado, 12 de julho de 2008

Como sempre, solidão!



De acordo com o Dicionário Michaelis, solidão significa: 1 Condição, estado de quem está desacompanhado ou só. 2 Lugar ermo, retiro. 3 Apartamento, isolamento. 4 Caráter dos lugares ermos, solitários. Mas este significado está longe de corresponder a realidade. Exemplos? A celebridade que vive rodeada de pessoas que só querem tirar proveito da fama. O sujeito rico que vive cercado de pessoas interessadas no seu dinheiro. O popular da escola que vive rodeado de amigos só porque ele faz sucesso com as meninas... e por ai vai uma lista de situções que vocês podem pensar: ah! mas isto é óbvio porque nesses casos existem o interesse. Tudo bem, mas por estes casos já cai por terra o sentido da palavra descrito nos dicionários. Mas também não é essa solidão que quero falar, está muito além disso. Existe uma solidão que se encontra dentro do coração, que não tem a ver com a presença física de uma pessoa ao seu lado, mas a presença de alguém dentro dele. É a mulher que vive com o marido mas se sente sozinha, não porque ele não seja um bom marido mas porque ele não é capaz de completá-la . É o filho que mora com os pais mas se sente sozinho, não porque os pais não o amem e não lhe deêm atenção, mas porque não compreendem o que ele sente. É o garoto que tem vários amigos mas se sente sozinho, não que a amizade deles não seja sincera em relação a ele mas ele não consegue confiar nos seus amigos pois tem medo de ser rejeitado... Falar e não ser escutado, entender e não ser entendido, tocar mas não ser tocado, assim vai uma lista de atitudes que descrevem essa solidão que toma a gente, impregna a alma e impede que se deixe compartilhar qualquer sentimento com alguém. Não é uma coisa que nasce de momento, são anos e anos para que ela se instale completamente. Um olhar repreendido, a inocência violentada, um desejo não assumido, culpa de não fazer o que é certo, medo de se entregar... Coloque tudo isso num caldeirão aqueça em fogo brando e você vai saber que a solidão vai muito mais além do que simples palavras descritas num dicionário qualquer.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Pequena homenagem aos meus amigos




Um dia longe deste lugar vi um caminho que levava a um esconderijo. Parei de frente a essa caverna e com o coração acelerado tentei ver o que havia dentro daquela escuridão. Num instante de dúvida deixei que meus passos me guiassem sem perguntar para onde eles queriam me levar. Caminhei de olhos aberto como um cego anda no dia claro. Andei devagar. Tentei usar o tato mas perdi todos os sentidos. Parei. Minhas pernas não correspondiam a minha vontade e estacado deixei que o medo tomasse conta de minha mente, meu corpo e minha alma. Quando senti uma mão a tocar meu ombro. Desesperado impedi que se aproximasse. Mas a mão permanecia insistente em meu ombro. E do silêncio apavorante que me cobria ouvi uma voz que dizia: Não tema meu amigo estou aqui para juntos seguir esse caminho. É isso, meus caros leitores que por instante se aconchegam nesse canto, existem pessoas que aparecem quando menos esperamos, sem saber quem vc é, desprovidos de qualquer julgamento, mas que no meio da escuridão são capazes de estender a mão para te trazer conforto e segurança nessa caminhada. Seu nome, é uma palavra tão pequena mas com um significado gigantesco: AMIGO.


Obrigado a todos os meus verdadeiros amigos!

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Obrigado amigo!




Com um certo atraso, posto aqui um poema feito pelo meu amigo Lucas para mim. Este poema tem uma coincidência que não poderia deixar de contar(apesar do Lucas já ter contado no blog dele). Ele foi postado pelo Lucas no seu blog no mesmo dia em que eu postei um poema para ele aqui (Mensagem a um amigo que está longe) sem saber que um tinha postado para o outro um poema. Obrigado amigo por esta homenagem, é nestas hora que vemos que amigos não precisam estar ao seu lado. Me sinto honrado em poder dizer que sou seu amigo.




"Na frieza de toda minha alma
Na morte de todos os meus sentimentos
Ainda me resta um resquício de calma
Calma esta que você me proporcionou
Enquanto a culpa me invadia
Em determinados momentos
Agradeço a você
Que nunca acreditou que a tempestade repentina
Pudesse devastar minha alma
Agradeço sua fidelidade
Mesmo vendo que todos os dias ao mais deserto eu me arremesso
Ainda não aceita a minha ruína
E me acompanha na estrada que atravesso
Amigo, agradeço a você que não duvidou da minha palavra sincera
Que não temeu os punhais que me atravessaram
Que compreendeu os momentos de ódio, de dor, de ira
E que não permitiu que as areias que foram jogadas em meus olhos
Viessem a me confundir
E me fazerem acreditar na culpa, na mentira
Você, que muitas vezes tirou as vendas dos meus olhos
Eu agradeço, imensamente
No sol que muitas vezes você me mostrou
Enquanto cruzávamos juntos as esquinas mais obscuras
Enquanto a dor em meu coração
Me corroia inconsciente
Na sua simplicidade
Hoje posso ver que você acreditava que havia uma luz
Que só eu acenderia
Uma luz que atravessaria os muros
E me levasse até a tão inalcançável liberdade
Onde eu fosse livrado de todo mal
As palavras que você, com cuidado
Sempre me dirigia
Para me transmitir a coragem real
Companheiro, alma caminhante
Todas as noites te enviarei um anjo
Para que contenha as lágrimas de dor
Que insistem em seguir adiante
As lágrimas que você derrama por sentir a minha dor
E saber que ela só se abrandava
Em meus estágios de euforia
Minha dor, sua dor.
Hoje venho te agradecer Renato
Por você agir como se eu fosse imortal
Por você ser tão amigo sim
E por eu saber que aconteça o que acontecer
Você jamais desistiria de mim



"E, quando nos sentamos lá, ouvindo os cânticos de natal eu quis dizer ao Brian que tudo ficaria bem. Mas era mentira, eu não conseguiria dizer. Queria que houvesse uma forma de voltar e desfazer o passado. Mas não havia nada que pudesse fazer. Então eu fiquei em silêncio, tentando por telepatia dizer o quanto eu sentia pelo que aconteceu. Pensei em quanto o mundo era triste, sofrido e corrompido e quis fugir dali. Quis de coração que pudéssemos ir embora do mundo. Voar com os anjos na noite e de forma mágica desaparecer. "

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Agora te pergunto




Já dançou com o demônio sob a luz do luar?
Já sentiu sua garganta sendo estrangulada pelas mãos coloridas de um palhaço que sorri?
Já sentiu o sangue escorrer pela boca deixando o gosto amargo de não se ter como voltar atrás?
Já dormiu numa cama de espinhos que fazem do mais doce sonho o seu pior pesadelo?
abriu seu peito para acolher um amor e depois viu ele te deixar, sobrando só o vazio da solidão?







Pois eu já.

Segunda feira cinzenta


Hoje o dia não amanheceu, ficou perdido lá atrás, andando devagar enquanto em meu desespero vejo minha vida passar como se não me conhecesse. Deixo que o mundo inteiro gire sob meus pés, enquanto fico sentado com as mãos estendidas pedindo esmolas numa esquina qualquer, de uma rua desconhecia, numa cidade estranha, de um país que eu nunca estive. Arrasto como um verme inútil me saboreando com a piedade putrefata daqueles que riem da minha dor. Meus olhos perderam o brilho que longe ficou preso num caminho sem volta. Mas ainda resta um sopro de vida e angústia por não saber quando vai acabar. Pelas minhas mãos ou pela sua? Não importa mais, o tempo não volta. Agora fica mais longe de tudo e por instantes de lucidez deixo que tudo fique no seu lugar. Existe um demônio dentro de mim que arranha minha alma e revira meu estômago quando estou perto de ser feliz. Só queria mais um dia de sol para lembrar como eram alegres aqueles momentos quando acreditava na vida. Para não esquecer nunca mais como é dançar no meio da noite com um estranho gosto de inocência de um amor que nunca experimentei.