domingo, 29 de junho de 2008

Fim da estrada


Lembra aquele dia que nos encontramos no fim daquela estrada? Quando ainda achávamos que o mundo não acabava ali? Pois é, hoje estive lá para ver se te encontrava, mas o dia passou e vc não veio. Sentei naquela mesma pedra, último refúgio sólido desse caminho, e me deixei ficar ali vislumbrando o que o sol queria dizer para mim. Mas ele não disse nada, foi andando de soslaio, tranquilo para sua cama de montanhas zombando da minha solidão. Não queria nada de mais, só sentar na beira deste abismo, olhar nos seus olhos e deixar para trás esse mundo como sempre imaginamos. Então a lua apareceu longe e eu pude entender que vc não viria mais, foi buscar outros mundos deixando-me apenas as estrelas para me guiar de volta daquele lugar.

Por mais esta noite


Ontem a noite acabou com uma lágrima que não quis cair e hoje o dia nasceu com ela despencando de meu coração. Caótico estar, em um lugar isento de afeto, carinho ou quem sabe ao menos um toque afável de uma mão caridosa. Um dia encontrei um lugar para ficar enquanto via minha vida passar, então me deixei ali ficar como se nada fosse possível de me atingir mas longe disso vi despencar dentre nunvens um luar sombrio para estragar de vez com a solidão de mais uma noite escura. Lá fora parece um campo de batalha onde crianças correm num jardim de flores sem se importar com os espinhos que um dia vão deixar cicatrizes profundas. Acabo-me aqui dentro deste apartamento, com a paz que insiste irritantemente a me lembrar o quanto eu estou sozinho, que me olha nos olhos e com flechas envenenadas de curare me paralisam em frente a porta com medo de sair. Ando por ruas que não são conhecidas só para esquecer a monotonia de mias um dia que se passou. Então fecho a janela do meu quarto, impeço que a luz de uma estrela venha me guiar e deito em minha cama com mais uma lágrima nos olhos preste a cair.

sábado, 28 de junho de 2008

O dia em que conheci o Bicho-Papão


"Na época era mais fácil tolerá-lo. A relação entre as sequelas e o abuso ainda era ignorada. Hoje é diferente. Tenho conhecimento de que as sequelas foram produzidas ou agravadas naquela madrugada. O abuso é o denominador comum de quase todos os meus problemas. Há dias em que desejo alojar uma bala na coluna cervical de Nícolas e deixá-lo tetraplégico. Mas isso agora não interessa. O assunto era outro." (trecho extraído do livro O DIA EM QUE CONHECI O BICHO PAPÃO de Ricardo Dabo)





Não preciso dizer mais nada. Uma noite, uma tarde, até alguns minutos são capazes de criar um estrago tão grande, que vc tem a exata sensação que não vai mais para para o inferno quando morrer, pois vc acabou de ser morto ali e seu inferno já começou. No começo vc só sente uma vergonha imensa, vc se sente sujo, o ser mais miserável que existe, mas não sabe o porquê. Vc então tenta esconder ao máximo que isso possa ter acontecido, inclusive de vc mesmo. Então vc passa a esconder seu olhar para que ele não denuncie o ser imundo que vc se tornou. Os pesadelos vem te atormentar a cada noite e o pavor faz com que vc deseje nunca mais dormir. O medo se torna seu companheiro inseparável. Confiar em alguém novamente, esqueça! E isso é só um milésimo de segundo do tempo que vc ainda vai descobrir ao longo de sua vida, pq vc ainda não entende o que aconteceu. Com o passar dos anos, a cada nova descoberta sobre a sua sexualidade, ao invés de ser comemorada como um rito de passagem, vc se esconde cada vez mais, se sente cada vez mais sujo e começa a entender que por mais que vc se lave com qualquer produto isso vai estar sempre impregnado em vc. Daí em diante entra a parte mais explícita das consequências: isolamento, depressão, tentativas de suicídio... ; porém mesmo sendo tão explícito assim vc só recebe como resposta um olhar de pena ou de repreensão por ser tão dramático enterrando cada vez mais nessa cova que um dia vc entrou. A cada vez que ouço uma pessoa dizer que isso é uma bobagem que ficou no passado, que já faz tento tempo, que tenho que esquecer, que tenho que pensar só no meu futuro, que estou fazendo uma tempestade num copo d'água, gostaria de injetar direto nas veias dessa pessoa toda dor que sinto a cada momento que estou sozinho e tenho lidar com minha mente insistindo em me lembrar cada segundo do que aconteceu.


Enfim, não estou aqui para listar ou explicar as consequências do abuso sexual infantil, mas sim para dizer que se alguém, algum dia, quiser saber mais sobre este assunto, não deixe de ler O DIA QUE CONHECI O BICHO PAPÃO, um livro que conta como um criança, um menino, foi seduzido e abusado por um adulto. Ao meu amigo Ricardo Dabo deixo aqui a minha admiração por toda sua coragem e sua luta em mostrar para o mundo o que é passar pelo abuso sexual na infância.


Título - O dia em que conheci o bicho-papão
Autor - Ricardo Dabo
Editora - Kelps
Preço - R$ 15
Onde Comprar -
http://www.saraiva.com.br/

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Mensagem a um irmão que está longe


Queria eu ter o poder de esticar a mão e te resgatar deste abismo. Trazer de volta o meu irmão, aquele que me mostrou um mundo em que a verdade vale mais do que qualquer coisa, sem julgamentos ou jogos para fingir que a dor não existe. Mas ele está tão longe... num mundo muito escuro, no nada. Se encontra perdido na falta de um sentimento, na desordem daqueles que não conseguem voar.Mas como um ser humano limitado, não consigo alcançá-lo.
Queria eu lhe resgatar, tirar toda dor que lhe consome e lhe restaurar a paz de um menino ao dormir. Que pretensão a minha achar que um dia poderia ajudar um anjo a voar. Resta-me a cada noite, antes de dormir, lhe dedicar uma prece, para quem sabe assim, algum dia, ele possa ouvir minha oração e desperte desta escuridão.

terça-feira, 24 de junho de 2008

Roda Viva


Tem dias que a agente se sente
como quem partiu ou morreu,
a gente estancou de repente
ou foi o mundo então que cresceu.
A gente quer ter voz ativa
no nosso destino mandar,
mas eis que chega a Roda Viva
e carrega destino prá lá.
( trecho extraído da música Roda Viva de Chico Buarque )

Nunca tinha entendido o porquê, deste trecho em especial, vir sempre a minha mente. E hoje num lapso de inteligencia (coisa que as vezes acontece, mas bem as vezes) pude entender o que isso significava tanto p mim. Sempre vivi em uma Roda Viva de pessoas que me bombardeavam a todo momento com questionamentos que nem eu sei o que responder.
_Por que não faz assim?
_Deixa de ser sistemático todo mundo faz assim só vc que é diferente.
_Deixa de ser bobo e faça desse jeito.
_Tudo bem, só que depois num venha chorar para o meu lado.
_ Se vc não fizer assim nunca vai conseguir.
_Desse jeito vc não vai a lugar nenhum.
_Você não tem( não é/não faz) porque não quer.
_Pare de fazer isso, reaja, faça, seja, tenha...
AAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!
Chega! Não aguento mais ver meu destino ser atropelado por esta roda viva de pessoas que nem sequer sabem quem eu sou ou como eu me sinto. É muito mais fácil dirigir a vida do outro de acordo com seus interesses, do que parar e perguntar até que ponto esse outro consegue chegar. Não vou ser hipócrita em dizer que sempre lutei contra isso, não, muito pelo contrário, parei de frente a essa roda viva e deixei que ela me arrastasse por medo de ter que carregar mais uma culpa além daquela que insiste a todo momento em me atormentar. Mas agora estou farto, e por pelo menos um segundo, quero poder respirar por mim mesmo e quem sabe assim poder viver meu próprio destino a salvo desta Roda Viva.

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Ridículo

Não sei como começar a escrever aqui. Criei este blog com a intenção de descrever em textos meus pensamentos, angústias, sonhos, pesadelos, teorias e mais um monte de bobagem pseudofilosóficas, mas me deparei com o meu pior pesadelo: o que escrever sem me sentir ridículo. Você deve estar achando que eu sou presunçoso, mas não é isso, existem coisas que vão além daquilo que podemos controlar, quando uma palavra, um olhar e uma risada pega de surpresa, deixam marcas dentro da gente como ferro em brasa para nunca mais esquecermos o quanto fomos ridículo. Um dia, quando ainda acreditava que era capaz de ser alguém acima de qualquer maldade, deixei que meus pensamentos me conduzissem por frases de efeito, pensamentos de caderno de escola, frases enamoradas para conquistar o grande amor e por ai vai, mas me deparei com o que seria a minha desgraça literária: o confronto com alguém que não era capaz de lidar com alguém que pudesse chamar mais atenção que ele. O primeiro confronto não foi direto, devido a uma frase de efeito escrito num caderno perguntas e respostas ( aqueles que tem mais idade vão se lembrar do que se trata) vi escapar por entre olhares e risos disfarçados, uma alusão do que eu havia escrito. Mas como eu disse, isso aconteceu em uma época em que eu ainda acreditava estar acima da maldade e deixei que se perdessem no ar como quando temos uma visão alucinatória qualquer. E o tempo passou como se nada tivesse acontecido, até o dia que no meio de uma mísera população do que eram as pessoas mais importantes para mim, foi novamente apresentada a famosa frase e num tom de deboche e ridicularização, fui ovacionado com gargalhadas dignas de um palhaço que recebe uma tortada na cara sem esperar. Estava aí feita a marca a brasa que me perseguiria por anos a fio, primeiro me impedindo por completo de escrever e depois me obrigando a trancar em um quarto para poder conseguir colocar em um papel aquilo que tanto me atormentava. Como nos dizeres de Raul Seixas:" Se vejo um papel qualquer no chão/ Tremo, corro e apanho para esconder/ Medo de ter sido uma anotação que eu fiz/ Que não se possa ler/ Eu gosto de escrever/ Mas eu tenho medo".

Por isso, como primeiro post oficial deste blog, deixo aqui o meu desabafo por não saber como começar a escrever.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Sejam Bem Vindos!!!

Sejam bem vindos ao canto mais escuro do meu quarto!
Um lugar especial onde toda poeira, mofo e qualquer espécie de sujeira se acumula. Lugar onde delírios, devaneios e ilusões tomam conta de minha mente e agora um lugar onde descarrego todos meus pensamentos, teorias e ilusões.