sexta-feira, 20 de junho de 2008

Ridículo

Não sei como começar a escrever aqui. Criei este blog com a intenção de descrever em textos meus pensamentos, angústias, sonhos, pesadelos, teorias e mais um monte de bobagem pseudofilosóficas, mas me deparei com o meu pior pesadelo: o que escrever sem me sentir ridículo. Você deve estar achando que eu sou presunçoso, mas não é isso, existem coisas que vão além daquilo que podemos controlar, quando uma palavra, um olhar e uma risada pega de surpresa, deixam marcas dentro da gente como ferro em brasa para nunca mais esquecermos o quanto fomos ridículo. Um dia, quando ainda acreditava que era capaz de ser alguém acima de qualquer maldade, deixei que meus pensamentos me conduzissem por frases de efeito, pensamentos de caderno de escola, frases enamoradas para conquistar o grande amor e por ai vai, mas me deparei com o que seria a minha desgraça literária: o confronto com alguém que não era capaz de lidar com alguém que pudesse chamar mais atenção que ele. O primeiro confronto não foi direto, devido a uma frase de efeito escrito num caderno perguntas e respostas ( aqueles que tem mais idade vão se lembrar do que se trata) vi escapar por entre olhares e risos disfarçados, uma alusão do que eu havia escrito. Mas como eu disse, isso aconteceu em uma época em que eu ainda acreditava estar acima da maldade e deixei que se perdessem no ar como quando temos uma visão alucinatória qualquer. E o tempo passou como se nada tivesse acontecido, até o dia que no meio de uma mísera população do que eram as pessoas mais importantes para mim, foi novamente apresentada a famosa frase e num tom de deboche e ridicularização, fui ovacionado com gargalhadas dignas de um palhaço que recebe uma tortada na cara sem esperar. Estava aí feita a marca a brasa que me perseguiria por anos a fio, primeiro me impedindo por completo de escrever e depois me obrigando a trancar em um quarto para poder conseguir colocar em um papel aquilo que tanto me atormentava. Como nos dizeres de Raul Seixas:" Se vejo um papel qualquer no chão/ Tremo, corro e apanho para esconder/ Medo de ter sido uma anotação que eu fiz/ Que não se possa ler/ Eu gosto de escrever/ Mas eu tenho medo".

Por isso, como primeiro post oficial deste blog, deixo aqui o meu desabafo por não saber como começar a escrever.

Um comentário:

recomeço disse...

Bem... ja deu pra perceber que me indentifiquei com teu texto né... Gostei muito de te conhecer... aqui sempre terá uma amiga... Bjo