domingo, 21 de dezembro de 2008

Eu não sei amar



Amo com uma intensidade tão grande
capaz incendiar minha alma.

Perco a razão.
Meu coração já não bate mais,
repete insistentemente: eu-te-amo.
Meus olhos se fixam em um único ponto
e não sou capaz de desvia-lo: vc.
A cada centímetro distante de vc
é como um oceano a nos separar.
Mas demonstro com uma frieza tão gélida
capaz de permanecer calado por horas a fio.
Faço vc domir,
só para observar o seu sono mais profundo.
Quando acordas,
finjo estar adormecido para que não notes o meu prazer.
Miro seu olhar quando o desvia,
contemplo o espaço vazio quando percebo que me fitas.

Conclusão: EU NÃO SEI AMAR.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Despedida


Hoje resolvi desistir da vida, morrer um pouco, deixar que os sonhos escorram por entre meus dedos, vermelhos como sangue que sai da minha veia. Não vou chorar, nem maldizer o mundo que um dia escolhi para viver, quero só estar em paz com aquele que nunca fui. Um dia amarrado em ilusões deixei cair no chão um pedaço de papel que tinha um nome escrito e que não poderei nunca mais pronunciar. Vem de longe essa minha vontade de não existir mas só agora percebi o quanto é importante isso acontecer. Então deixo minhas coisas para aqueles que um dia estiveram tão perto de mim mas nunca sequer me olharam. Deixo meu olhar futivo e inocente para aquele que um dia não soube respeita-lo e o arrancou de meu peito como um souvenir de colecionador. Deixo meus sonhos para aqueles que por estarem tão longe souberam chegar até mim e tocar o meu coração iluminando minha alma fazendo me sentir eu mesmo sem mascaras. E deixo meu amor... bem esse eu não deixo para ninguém pois nunca amei.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Pulso, Vermelho, Ar e Culpa


Pulso
escorre pelos dedos
Vermelho
sangue quente que aquece minha pele gélida.
Ar
que me falta quando penso no que não existe mais
Culpa
que deixo aqueles que um dia não souberam me enxergar

vejo o dia passar por entre as lentes embaçadas dos meus óculos e deixo no chão, estirado, meu corpo cansado por não saber como agir.
lembra quando ainda achava possível ser feliz e apagar de vez uma vida de inútil viver? pois é, se foi, escorrendo pelo ralo de um banheiro imundo que escolhi para morrer.

Pulso
escorre pelos dedos
Vermelho
o sangue quente que aquece minha pele gélida
Ar
pela sua falta quando penso no que não existe mais
Culpa

sabe quando vc está se sentindo só, num mundo que não é o seu? pois quando me vi nesse lugar distante percebi o quanto sentido existe num copo vazio.
agora permaneço estático nesse chão gélido como um corpo que cai do décimo andar de um edifício na avenida central.


Pulso
escorre pelos dedos
Vermelho
como o sangue quente que aquece minha pele gélida
Ar

vem cá me mostra o que vc tem no seu coração, deixa eu participar neste ultimo segundo, apesar de não ser possível, da sua vida
largo o peso sobre o limo que me escorrega para dentro deste funil de vida que ainda me resta.

Pulso
escorre pelos meus dedos
Vermelho

agora toma tua mão na minha e venha participar do meu último sorriso antes de partir levando embora aquilo que não pude viver.
não me movo pelas forças que vão se trasportando para um lugar longe do meu corpo agora inerte.

Pulso
Puls
Pul
Pu
P


...

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Alma em pedaços


Tento catar os restos de minha alma, migalhas de uma vida perfeita destruída num único ato de covardia e maldade. Volto ao mundo como um mendigo que busca afeto e carinho nas latas de lixo de um coração qualquer, mas está perdido o meu reconhecer de que um dia isso poderá mudar. Cerco por todos os lados perguntado ao primeiro olhar que me seduz: onde está o amor? e como resposta recebo o silencio de quem vê uma alma em frangalho, esfarrapada, destruída... Já não sei mais como lutar, então me sento no canto sujo de um beco sem saída a espera que mais um transeunte passe e me arremesse de dentro do seu coração uma pequena migalha de afeto e atenção.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Untitled # 1


Hoje eu só queria não ter acordado.
Não ter que sentir este medo quando tiver que voltar a dormir.
Dia quente como a febre que toma meu corpo e incendeia minha alma.
Agora falta pouco para me livrar das correntes que me prendem a vida
que eu não escolhi para viver.
Mas lá fora está escuro, vazio e não sei por onde ir.
Se um dia vc passar por aqui por favor não diga nada,
estenda sua mão,
entrelace os seus dedos ao meu coração
e me leve para onde não poderei mais te deixar.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Maldito sonho


Por quanto tempo ainda, vou ter vc em meus sonhos, a atormentar minha noite com luxúrias e devaneios?
Questão que me interrogo a cada manhã quando acordo.

Resta pouco tempo em meu coração até que vc surja arrancado aquilo que ainda não consegui experimentar.
Resta ainda um pouco de ilusão nas marcas deixadas depois de mais uma noite sem vc.


Mas vc está longe... Num sonho... a me atormentar... por uma noite a mais.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

E no meio da multidão...


São personagens que se encontram distante de onde se pode alcançar. São olhares perdidos, almas assustadas entre a saudade e um abraço amigo. Pernas que vão. Pés que voltam sem um rosto conhecido para dizer pelo menos: oi. É só mais um caso de amor. Só mais uma esperança que ronda minha alma, pois longe está quem um dia entrou em meu coração.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Sonho


Foi só uma noite de sonho.
Um sonho daqueles que vem sem vc esperar nada.
Um sonho com cheiro, com toques, com prazer...
Um sonho tão real que cheguei a acreditar que estaria vivendo no paraíso que nunca entrei.
Um sonho que acreditei que poderia continuar mesmo que distante.


Mas o sol nasceu lançando sua luz sobre razão
e me acordando daquele que tenho certeza,
foi o sonho mais lindo que já tive.

sábado, 15 de novembro de 2008

Erros


Não são apenas palavras, são gestos que marcam a alma com um vazio enlouqecedor.Quando foi que ue enlouqueci? já faz muito tempo, numtempo tão remoto que apnas flash vem assaltar de madrugada quando em sono profundo rvivo o meu maritrio. Aonde foi parar vc? Pernguta que insisto em repertir milhões de vezes sabendo que a resposta é uma só: Não existe vc sou apenas eu, sempre serei só eu, nunca serie nós. E sabe pq? porque num canto escuro de uma quarto só há espaço para um ser e o quarto é meu. Queria eu poder voltar a ter no rosto o feliz dia em que nasci mas minha morte carregou o meu caminhar potr um abismo sem fim e quando a um passo sobre navalha esquivo para ser feliz despenco sobre rochas que cortam minha pel e massacrm minha carne com uma dor que só o coração é capaz de sentir. Por isso vou-me embora para o lugar de onde não nasci, em busca da morte que vai me libertar daquilo que não vivi.


Ador que vem do meu coração, parte da incapacidade que tenho de amr.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Esta noite, por mim, não chore


Esta noite, por mim, não chore.
Ponha no rosto o seu melhor sorriso e saia para dançar. Olhe nos olhos aflitos de paixão que te rodeiam e deixe que eles te tomem na mais pura intenção de prazer. Se entregue aos desejos mais sórdidos de sua alma até desfalecer num cansaço de puro extase.

Esta noite, por mim, não chore.

Deixe que o dia te leve aos lugares mais incríveis de sua alma. Busque o campo mais florido da primavera e nele se refastele como se nada mais fosse importante. Deixe que a brisa calma venha te envolver suavemente sua pele, seu coração e sua alma cansada.

Esta noite, por mim, não chore.

Brinque de roda, ciranda, pega-pega ou qualquer brincadeira inocente que um dia vc aprendeu. Deixe que a inocência dos dias sem preocupação tomem conta do seu ser e te faça cada vez mais feliz. Deixe que o riso saia solto, alto e sincero contagiando a quem estiver ao seu lado.

Eu lhe imploro...todas as noites... por mim...não chore.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Está chegando o dia da minha morte


Está chegando o dia da minha morte.
Maldito nome que me leva ao inferno
para depois me devolver do céu
como um recém nascido.
Mal formado,
incompleto,
sem emoção nenhuma.

Está chegando o dia da minha morte.
Ato final de um ciclo
que se repete insistentemente
desde que me mataram pela primeira vez.
Morte silenciosa,
secreta,
estúpida,
e violenta no fundo de um quintal.
Renascimento doloroso,
sujo,
vergonhoso,
e solitário em noites insones de medo.

Está chegando o dia de minha morte.
Não precisa preparar seu traje mais elegante de luto,
não precisa derramar uma lágrima sequer,
muito menos jogar uma rosa sobre minha sepultura.
Basta olhar em meus olhos opacos,
tocar minha pele gelada
e me envolver em um abraço,
confortante, seguro e afetuoso,
quebrando esse ciclo vicioso.

Por isso grito bem alto:
O DIA DA MINHA MOTE ESTÁ CHEGANDO.

domingo, 2 de novembro de 2008

E hoje o sol nasceu



Quantas luas ainda vão iluminar nossos caminhos? Vislumbro um horizonte de marcas que não querem sumir, que trazem dor a cada centímetro da minha pele. Dor que um dia nos uniu, com força capaz de mudar o rumo dos oceanos que nos separam, trazendo para perto nossas almas perdidas, levando-nospela estrada do paraíso que tanto sonhamos estar como meninos que nunca fomos, longe de lobos assassinos que massacram os corações dos inocentes. Poderemos então sentar num pedra para ver o sol. Olhe, veja só, ele nasceu e com ele tenho a certeza que não estou mais só, pois em algum lugar sei que vc vai estar contemplando o mesmo brilho que ilumina minha retina, que quebra o gelo que há em meu coração, por um dia ter ousado te receber como um verdadeiro irmão.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Sonâmbulo


Confundo o dia com a noite e vivo como um sonâmbulo a caminhar solitário com o sol a pino. Lembro que um dia, numa noite fria de verão vc chegou ao meu lado. Desconcertante momento de distração, deixei que caísse no chão meu último gole de razão que restava no copo, de vidro, que se espatifou aos seus pés espalhando todos meus sentimentos, que por tanto tempo guardei congelados em pequenos cubos de gelo. Mas vc nem notou. Limpou os respingos que te atingiram e saiu.

domingo, 19 de outubro de 2008

Atenção!! Atenção!!!


Atenção!!
Atenção!!
Hoje vai haver apresentação especial neste Canto Esuro.
Estréia hoje a farsa: Menino Bonzinho.
Estrelado por este que vos fala, a peça conta a história de um menino que se veste com sua melhor armadura, maquiado com seu sorriso mais forçado, distribuindo confetes de felicidade, só para fazer com que aqueles que não querem entender quem ele é, o que ele sente, descubram sua verdadeira essência, pois agora é tarde demais.
Ingressos antecipados, a preços promocionais neste mesmo canto.
Não percam!

sábado, 18 de outubro de 2008

Dia e noite


Hoje, foi o dia brincar com a noite e adormeceu quieto no interior de sua magnitude. Hoje, fui eu brincar com o amor e desfaleci diante de tanto extase. Não quero uma ilusão fantástica que quebre ao meio o significado das palavras doces dos enamorados, quero antes uma saída para esta forma de vida que me segue onde não quero ir. Levanto a cabeça, ergo monumentos e deixo que o tempo venha dizer onde foi parar vc. Mas a lógica de um dia amante da noite acaba com todos os meus sonhos e me traz a realidade de que um dia talvez eu vá dormir desfalecido nos braços de um eterno amor.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Socorro!!


Eu peço socorro
pela noite que não quer se acabar
pelo dia que não tem fim
pela brincadeira que não deveria existir.

Eu peço socorro
pelo grito silenciado em lágrimas
pelo amor não existido
pela verdade escondida em falsas promessas de um dia ser feliz.

Eu peço socorro
pela vida miserável
pelo carinho dado como esmola
pelo toque que fere a alma como um espinho.

Eu só peço socorro...

domingo, 28 de setembro de 2008

Brincadeira no fundo do quintal


Ainda brinco no fundo de um quintal cheio de pedras que machucam não só a minha pele mas tbm meu coração. Brinco de passear por países que um dia ousei imaginar, para tentar afugentar as lembranças que não deveriam existir. Brinco de amar, criando personagens que nunca vão existir, para afugentar do meu coração a solidão. Brinco de vestir armaduras, cada qual mais brilhante que a outra, só para não deixar que vejam as marcas de um passado desfigurado e sombrio que toma meu ser e afugenta as pessoas. E mais um dia se passa no mesmo fundo de quintal, na mesma brincadeira ferir a alma e matar de vez o menino que nem em lembro mais de ter sido.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Mãe! Desculpe por ser mal



Desculpe Mãe! Sei que não sou um bom menino. Sou um menino mal, que mente, desobedece... . Mãe... vc se lembra daquele dia? Aquele dia no fim de uma tarde de primavera que eu neguei a sua presença? Naquele dia eu fui onde nunca deveria ter ido. Invadi o Jardim Secreto da Maldição, atravessei a Floresta Encantada a Morte ou simplesmente fui convencido a brincar de morrer no fundo do quintal. Mas eu tinha apenas 8 anos, Mãe! e tive que decidir entre vc e meu algoz. Sim, eu me vendi por uma garrafa de guaraná. Sim, eu me calei com medo, com vergonha... Mãe eu tentei lutar, mas quando em total desespero comecei a chorar, a única resposta que eu tive foi: Fica quietinho, já tá terminando. Mãe eu sei que sou um menino mal, mas ao contrário do que vc me disse, DEUS não vai me castigar por ser tão mal assim, sabe por quê? Porque quando ELE me viu naquele lugar, suas lágrimas caíram. ELE viu meu desespero quando olhava a janela de casa, esperando que vc abrisse e me tirasse daquele lugar. Mas ela permanece fechada até hoje. E quando me escondi naquele porão escuro e úmido ELE foi o único que esteve comigo. E por cada lágrima que derramei nas noites de terror que passei em silêncio, só ELE esteve ao meu lado. Mãe, não te culpo por nada afinal vc é mãe e nunca suportaria saber que mataram seu filho bonzinho e que nasceria ali um menino mal.

domingo, 21 de setembro de 2008

Desde a útima noite


Meu coração dói, quando penso na última noite de felicidade que tive. Não foi nada em especial. Sentei ao seu lado, ri do seu sorriso e vi nos olhos mais brilhantes a força que tem o amor. Foi um dia de paz que deixou meu espírito livre. Ansioso espero vc voltar. Não nos dias cinzento que cobrem minha visão, mas no escuro absurdo das noites em claro que deixo o sono seguir em frente enquanto as lágrimas despencam num pranto silencioso e ridículo de se ver. Foi especial ter vc ao meu lado, mas não restou um lado depois que vc foi embora. Agora deito a cabeça num travesseiro enquanto seu corpo vai repousar distante. Livre de vc, me vejo sozinho agarrando em olhares, que me confundem, me enganam e me fazem pensar que posso ser feliz.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Poesia para jogar no lixo


Hoje escrevi uma poesia para jogar no lixo junto com meu coração. Não precisei de versos, não precisei de rimas para escrever. Bastou manchar com meu sangue, deixar que escorresse a alma pela pena e descrever o olhar que passou, o sorriso que se foi, a lágrima que caiu. Assim foi a poesia feita para embrulhar o meu coração,assim joguei no lixo minha última paixão.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Risco no céu


Risco no céu uma estrela de brilho intenso para acordar quem não precisa de mim. Longe vai o meu caminhar a procura de vc. Longe está minha alma cansada de tanto acordar sozinha em mais uma manhã de puro entardecer.Ainda descubro em qual coração maldito vc foi morar. Ainda te encontro numa rua sem saída para nós dois. Então vou riscar no céu mil estrelas incandescentes e acordar o mundo só para te dizer: Eu te Amo!

sábado, 6 de setembro de 2008

Adeus amigo...



Oi amigo o que fazes da vida? Das noites insones que deixamos o tempo passar em conversas distintas de amor, solidão, tristeza e dor que se uniam em um só lamento? Conta-me o que tem sido estes dias longe. Das paisagens sonhadas mas nunca vividas que um dia traçamos conhecer. Diga-me o que sentes, quando no fim de mais uma noite, deixava o cansaço tomar o meu corpo para enfim poder me afastar de sua presença. Fala-me do seu coração ferido e de sua alma machada que juntos um dia conseguimos juntar em ilusões perdidas. Recorda-me dos risos incotroláveis das madrugadas frias que vinham secar as lágrimas que acabavam de molhar a minha face.


Amigo!
Amigo!
Amigo...

Foi embora meu amigo...

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Abuso Sexual Inafntil, vamos acabar com isso

Clique na imagem para ve-la ampliada












Estas imagens fazem parte de uma campanha, do Centro de Referência da Criança e do Adolescente contra o Abuso Sexual Infantil e a Pedofilia, que foi premiada. Deixo que as fotos digam por elas mesmas o que isso significa.



Só deixo duas perguntas: mesmo sendo uma campanha premiada, alguém já viu estas imagens sendo divulgada em alguma mídia?
Até quando a sociedade vai fechar seus olhos?

O que vc não vai ver



Se vc visse a minha dor, entenderia o que eu quero dizer quando em silêncio deixo um olhar se perder . Foi com essa mesma sensação que um dia deixei que o mundo fizesse de mim meu próprio carrasco. Caminhei sozinho, catando migalhas de atenção. Criei um ser maquiado de felicidade e malícia para esconder o que meus olhos não poderiam denunciar. Vestido com as armas para ser normal, deixei a vida me conduzir para este abismo de solidão. Inverdades criadas, para num segundo após o teatro fechar sua cortina, descobrir que o holofote de mais uma ilusão se apagou. Mentiras ditas com tanta certeza que a realidade se confunde com o sonho de um dia ser feliz. O corpo cansado se entrega a mais uma noite de solidão e o amanhecer traz a dor por saber que ela ainda está ali, não foi embora com o sol da manhã, mas se senta impiedosa e senhora da situação na mesa do café da manhã. Mas minha dor está escondida em lugar que vc nunca vai chegar e sem vê-la nunca vai entender o que eu quero dizer quando se perde meu olhar.

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Olhares


Os olhos são cegos
o sorriso maldoso.
Não se olha no escuro,
não se esconde no espaço,

mas se vinga da morte,
levando ao inferno
a quem um dia errou,
a quem um dia amou.


Os olhos marejam
ao ver seu igual.
Se interna num hospício,

não vivo, mas particular.

Inventa mentiras,
liberta o coração,
mas morre aos poucos,

no escuro,

no chão.


E longe da vida

se joga no mar,

se afoga em dores,

dilacera a alma

e longe descansa,

no silêncio
sozinho
e enfim se livra
de seu algoz
seu vizinho.


Quem um dia o amou
partiu,
foi embora chorando
,
quieto,

infantil,

como se o tempo não viesse lhe socorrer

para levar de volta

e viver de uma vez por todas

o amor
.
Mas cegos são os olhos
e maldoso o seu sorriso,

que não enxerga no escuro

que no espaço se esconde
e com a morte se vinga
para levar ao inferno

quem um dia o fez errar,

quem um dia dia o fez chorar.

domingo, 24 de agosto de 2008

Mantenha a distância


Há um sentimento exacerbado de solidão quando me vejo rodeado por pessoas. Olho assombrado para cada olhar e percebo que não faço parte deste mundo. Estou longe num mundo particular de sonhos e devaneios que me impedem de chegar onde estão. Logo, são inocentes vítimas do meu sarcástico medo de interagir. Não, não sou bonzinho, legal e gentil, sou antes um vampiro que suga as suas forças para saciar minha sede de afeto. Então se afaste de mim, não olhe nos meus olhos, não queira me entender, pois existe dentro de mim um demônio que não me deixa ver a quem ataco. Enxugo mais um lágrima que parte de meu coração em direção aos meus olhos. Amarga, dolorida e manchada da com as cores da decepção de ter um dia confiado em alguém. Palavras são armas, enganam o coração, dilaceram a alma e te jogam no mais profundo abismo. Negra, a noite vem despejar sobre meus ombros o peso de mais uma vez ter acreditado que haveria sinceridade nas palavras ternas e afetuosas de uma pessoa. Maldita solidão que me faz mendigar atenção, e acreditar que sou importante na vida de alguém. Sina amldiçoada lançada sobre a inocêcia de uma criança. E então sigo o meu caminho pela noite, sugando cada gota de afeto, magoando cada ser que ousa cruzar o meu caminho e deixando cada vez mais de acreditar nas palavras de alguém que um dia eu nem sei se eu magoei.

Luxúria


Queria que vc estivesse aqui. Acordaria sem me mexer, só para sentir seu corpo junto ao meu a se movimentar no ritmo lento e pulsante de sua leve respiração. Deixaria que a luz do sol viesse incendiar o quarto trazendo aos poucos sua imagem nua, crua e repleta de desejos. Depois caminharia devagar e aos seus pés lhe serviria o mais completo banquete de prazer e luxúria. E quando se saciasse voltaria a me deitar junto ao seu corpo, para sentir, aos poucos, sua respiração voltar ao ritmo lento e pulsante de uma noite de extâse. Mas isso é só o que eu queria. Se vc estivesse aqui.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Versos infantis


Eu vejo a morte em seus olhos
Eu vejo a dor no seu coração
Eu vejo a cor negra de sua alma
Eu vejo a letra da última canção

Canção de ninar que termina em pranto
Brincadeira infeliz no fundo do quintal
Que na última hora, talvez por encanto
Arranca-se do peito, a inocência, com um punhal.

Punhal que não foi feito com aço
Mas com mãos impiedosas que perfuram a alma
Arrancam do peito o coração
Sem pena, com dor, com calma.

E no escuro de um porão
Vai chorar sozinho a dor que ainda sente
Por ser um homem sem ter sido menino
Por nunca sentir o amor no seu coração.

domingo, 10 de agosto de 2008

Pai...


Pai! Ô Pai! Cadê vc?PAAAAIIIII!! Por favor não me deixe aqui sozinho! Pai eu tenho medo, cadê vc! Por que me abandonou aqui neste lugar? Pai eu preciso de vc, por favor me responda? Sei que não sou um bom menino, sei que sou o oposto do que vc desejava como filho e que por várias vezes te decepcionei, mas Pai não me deixe aqui sozinho. Pai eu sinto falta de ser seu filho, de um olhar de cumplicidade como vc tem com os outros mas que é incapaz de trocar com seu filho. PAAIII!! Não quero seu dinheiro, seu suor para manter os luxos de um menino mimado, só peço um abraço seguro numa noite de pesadelo, um sorriso orgulhoso por ser como eu sou, só quero ter um pai. Pai! Ô Pai...

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Imaginação ou realidade?


Era uma vez
Um sábio chinês
Que um dia sonhou
Que era uma borboleta

Voando nos campos
Pousando nas flores
Vivendo assim
Um lindo sonho

Até que um dia acordou
E pro resto da vida
Uma dúvida lhe acompanhou:

Se ele era um sábio chinês
Que sonhou que era uma borboleta,
Ou se era uma borboleta sonhando
Que era um sábio chinês
(Conto do Sábio Chinês, Raul Seixas)


Vivemos num sonho ou sonhamos com a vida?

terça-feira, 22 de julho de 2008

Do outro lado do muro


Uma vez, conversando com um amigo, fui surpreendido com a seguinte questão: Por que você é tão sozinho se a solidão te faz tão mal?( Não precisam torcer o nariz não que desta vez o assunto é outro) Bem, na hora a pergunta me pegou desprevenido e assumo que cheguei a gaguejar ( não no sentido literal porque pelo msn não tem como) e tropeçando nas palavras respondi mal e porcamente para ele. Porém, apesar da conversa ter acabado por ali, esta pergunta continuou martelando em minha cabeça, até tentei responder alguma coisa no post "Como Sempre, Solidão!" mas não foi o suficiente para acalmar as marteladas em minha cabeça. Nem sei se agora será, mas pelo menos tenho a certeza que mais uma peça desse quebra cabeça está sendo colocada no seu lugar. Hoje num lapso de inteligência consegui perceber que a solidão está relacionada com fatos que vivi e que mais uma vez tentei esquecer mas que surtiu o efeito contrário. Por favor, este texto não tem nada a ver em querer me fazer de vítima e criar uma pose de coitadinho, pois pena foi feita para as aves. A solidão que vocês já devem estar cansados de ler em meus textos, não é uma coisa que decidi para mim, mas são fatos que com o tempo foram se acumulando dentro de mim formando esta barreira que me separa do mundo a minha volta. São demônios que foram tomando conta de mim e que preciso exorcizá-los. Confuso? Talvez, mas paciência estou tentando um jeito de dizer o que aconteceu sem parecer que estou me vitimizando( detesto esta palavra). Sei que não sou o único, não fui o primeiro e nem serei o último a passar pelo que passei ( e sei que ainda vou passar), por isso mesmo venho até aqui expor um pedaço de minha vida, para quem sabe possa abrir os olhos de alguma pessoa que passou ou que passa o mesmo que passei( pretensioso é pouco). Bem, depois de tanta enrolação pseudofilosófica vou direto ao assunto. Poderia citar aqui um monte de fatos que fizeram com que eu criasse essa barreira, mas vou me ater apenas a alguns que julgo mais importante.
1º Por volta de 8 anos foi erguida a base que seria o alicerce para começar a construção deste muro. Confiei em uma pessoa que não só traiu minha confiança mas que usou ela para satisfazer seus desejos mais sórdidos.
2º Tive uma adolescência que julgava tranquila, cheia de "amigos", pessoas que considerava, que admirava, que batia no peito para dizer que era um AMIGO e que de uma hora para outra me diz na minha cara que eu era um babaca, que todos riam de mim de tão ridículo que eu era. Isso porque era meu meu melhor AMIGO.
3º Quando em total desespero diante da solidão resolvi pedir ajuda a alguém que julgava ser o mais importante para mim, o que recebi foi um olhar de "tá e o que eu tenho a ver com isso?".
4º E para finalizar, já na era virtual, ser totalmente iludido com amizades que falavam em admiração e amor, mas que num clicar do mouse simplesmente desapareceram sem me dar o direito de explicação ou simplesmente fingem que eu não existo se esquecendo do poder que tem as palavras.
Bem, era ai que eu queria chegar. O muro que criei ao meu redor me fazendo aprisionado junto a solidão não foi algo que eu dividi que seria assim, ele tem paredes bem concretas que forma colocadas ao longo desta miserável vida de interesses vãos. Não meus caros leitores (olha como sou chique já tenho até leitores), não estou aqui reclamando das desventuras que a vida coloca em nosso caminho, estou apenas teorizando sobre o que seria a resposta certa ao meu amigo e quem sabe, por um acaso, nem que se for por um breve acaso, talvez ajudar alguém a enxergar que a solidão muitas vezes é uma barreira que foi construída muito lentamente mas que quando você consegue entender como ela foi construída, você também pode descobrir como derrubá-la.


O que vcs acham?

domingo, 20 de julho de 2008

Durma medo meu


Todo o chão se abre
No escuro, se acostuma
Às vezes a coragem é como quando a nova lua
Somos a discórdia
E o perdão
E nos esquecemos da cor que tinha o céu, assim
Como a saudade
Ou uma frase perdida
Durma, Medo Meu
Durma, Medo Meu
Hmmm, não
Às vezes um "não sei"
Janela, madrugada, luz tardia
E o medo nos acorda
Pára e bate o coração
Em pura disritmia
O medo amedronta o medo
Vela, madrugada, dia, assim
Como a saudade
Ou uma frase perdida
Durma, Medo Meu
Durma, Medo Meu
(Teatro Mágico)

Um dia ainda encontro um medicamento que faça meu medo dormir, só ele. Nem que seja por uma noite apenas, por um pequeno instante, o suficiente para que eu possa pelo menos ter a coragem de tomar a inciativa de acabar com essa solidão.

sábado, 12 de julho de 2008

Como sempre, solidão!



De acordo com o Dicionário Michaelis, solidão significa: 1 Condição, estado de quem está desacompanhado ou só. 2 Lugar ermo, retiro. 3 Apartamento, isolamento. 4 Caráter dos lugares ermos, solitários. Mas este significado está longe de corresponder a realidade. Exemplos? A celebridade que vive rodeada de pessoas que só querem tirar proveito da fama. O sujeito rico que vive cercado de pessoas interessadas no seu dinheiro. O popular da escola que vive rodeado de amigos só porque ele faz sucesso com as meninas... e por ai vai uma lista de situções que vocês podem pensar: ah! mas isto é óbvio porque nesses casos existem o interesse. Tudo bem, mas por estes casos já cai por terra o sentido da palavra descrito nos dicionários. Mas também não é essa solidão que quero falar, está muito além disso. Existe uma solidão que se encontra dentro do coração, que não tem a ver com a presença física de uma pessoa ao seu lado, mas a presença de alguém dentro dele. É a mulher que vive com o marido mas se sente sozinha, não porque ele não seja um bom marido mas porque ele não é capaz de completá-la . É o filho que mora com os pais mas se sente sozinho, não porque os pais não o amem e não lhe deêm atenção, mas porque não compreendem o que ele sente. É o garoto que tem vários amigos mas se sente sozinho, não que a amizade deles não seja sincera em relação a ele mas ele não consegue confiar nos seus amigos pois tem medo de ser rejeitado... Falar e não ser escutado, entender e não ser entendido, tocar mas não ser tocado, assim vai uma lista de atitudes que descrevem essa solidão que toma a gente, impregna a alma e impede que se deixe compartilhar qualquer sentimento com alguém. Não é uma coisa que nasce de momento, são anos e anos para que ela se instale completamente. Um olhar repreendido, a inocência violentada, um desejo não assumido, culpa de não fazer o que é certo, medo de se entregar... Coloque tudo isso num caldeirão aqueça em fogo brando e você vai saber que a solidão vai muito mais além do que simples palavras descritas num dicionário qualquer.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Pequena homenagem aos meus amigos




Um dia longe deste lugar vi um caminho que levava a um esconderijo. Parei de frente a essa caverna e com o coração acelerado tentei ver o que havia dentro daquela escuridão. Num instante de dúvida deixei que meus passos me guiassem sem perguntar para onde eles queriam me levar. Caminhei de olhos aberto como um cego anda no dia claro. Andei devagar. Tentei usar o tato mas perdi todos os sentidos. Parei. Minhas pernas não correspondiam a minha vontade e estacado deixei que o medo tomasse conta de minha mente, meu corpo e minha alma. Quando senti uma mão a tocar meu ombro. Desesperado impedi que se aproximasse. Mas a mão permanecia insistente em meu ombro. E do silêncio apavorante que me cobria ouvi uma voz que dizia: Não tema meu amigo estou aqui para juntos seguir esse caminho. É isso, meus caros leitores que por instante se aconchegam nesse canto, existem pessoas que aparecem quando menos esperamos, sem saber quem vc é, desprovidos de qualquer julgamento, mas que no meio da escuridão são capazes de estender a mão para te trazer conforto e segurança nessa caminhada. Seu nome, é uma palavra tão pequena mas com um significado gigantesco: AMIGO.


Obrigado a todos os meus verdadeiros amigos!

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Obrigado amigo!




Com um certo atraso, posto aqui um poema feito pelo meu amigo Lucas para mim. Este poema tem uma coincidência que não poderia deixar de contar(apesar do Lucas já ter contado no blog dele). Ele foi postado pelo Lucas no seu blog no mesmo dia em que eu postei um poema para ele aqui (Mensagem a um amigo que está longe) sem saber que um tinha postado para o outro um poema. Obrigado amigo por esta homenagem, é nestas hora que vemos que amigos não precisam estar ao seu lado. Me sinto honrado em poder dizer que sou seu amigo.




"Na frieza de toda minha alma
Na morte de todos os meus sentimentos
Ainda me resta um resquício de calma
Calma esta que você me proporcionou
Enquanto a culpa me invadia
Em determinados momentos
Agradeço a você
Que nunca acreditou que a tempestade repentina
Pudesse devastar minha alma
Agradeço sua fidelidade
Mesmo vendo que todos os dias ao mais deserto eu me arremesso
Ainda não aceita a minha ruína
E me acompanha na estrada que atravesso
Amigo, agradeço a você que não duvidou da minha palavra sincera
Que não temeu os punhais que me atravessaram
Que compreendeu os momentos de ódio, de dor, de ira
E que não permitiu que as areias que foram jogadas em meus olhos
Viessem a me confundir
E me fazerem acreditar na culpa, na mentira
Você, que muitas vezes tirou as vendas dos meus olhos
Eu agradeço, imensamente
No sol que muitas vezes você me mostrou
Enquanto cruzávamos juntos as esquinas mais obscuras
Enquanto a dor em meu coração
Me corroia inconsciente
Na sua simplicidade
Hoje posso ver que você acreditava que havia uma luz
Que só eu acenderia
Uma luz que atravessaria os muros
E me levasse até a tão inalcançável liberdade
Onde eu fosse livrado de todo mal
As palavras que você, com cuidado
Sempre me dirigia
Para me transmitir a coragem real
Companheiro, alma caminhante
Todas as noites te enviarei um anjo
Para que contenha as lágrimas de dor
Que insistem em seguir adiante
As lágrimas que você derrama por sentir a minha dor
E saber que ela só se abrandava
Em meus estágios de euforia
Minha dor, sua dor.
Hoje venho te agradecer Renato
Por você agir como se eu fosse imortal
Por você ser tão amigo sim
E por eu saber que aconteça o que acontecer
Você jamais desistiria de mim



"E, quando nos sentamos lá, ouvindo os cânticos de natal eu quis dizer ao Brian que tudo ficaria bem. Mas era mentira, eu não conseguiria dizer. Queria que houvesse uma forma de voltar e desfazer o passado. Mas não havia nada que pudesse fazer. Então eu fiquei em silêncio, tentando por telepatia dizer o quanto eu sentia pelo que aconteceu. Pensei em quanto o mundo era triste, sofrido e corrompido e quis fugir dali. Quis de coração que pudéssemos ir embora do mundo. Voar com os anjos na noite e de forma mágica desaparecer. "

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Agora te pergunto




Já dançou com o demônio sob a luz do luar?
Já sentiu sua garganta sendo estrangulada pelas mãos coloridas de um palhaço que sorri?
Já sentiu o sangue escorrer pela boca deixando o gosto amargo de não se ter como voltar atrás?
Já dormiu numa cama de espinhos que fazem do mais doce sonho o seu pior pesadelo?
abriu seu peito para acolher um amor e depois viu ele te deixar, sobrando só o vazio da solidão?







Pois eu já.

Segunda feira cinzenta


Hoje o dia não amanheceu, ficou perdido lá atrás, andando devagar enquanto em meu desespero vejo minha vida passar como se não me conhecesse. Deixo que o mundo inteiro gire sob meus pés, enquanto fico sentado com as mãos estendidas pedindo esmolas numa esquina qualquer, de uma rua desconhecia, numa cidade estranha, de um país que eu nunca estive. Arrasto como um verme inútil me saboreando com a piedade putrefata daqueles que riem da minha dor. Meus olhos perderam o brilho que longe ficou preso num caminho sem volta. Mas ainda resta um sopro de vida e angústia por não saber quando vai acabar. Pelas minhas mãos ou pela sua? Não importa mais, o tempo não volta. Agora fica mais longe de tudo e por instantes de lucidez deixo que tudo fique no seu lugar. Existe um demônio dentro de mim que arranha minha alma e revira meu estômago quando estou perto de ser feliz. Só queria mais um dia de sol para lembrar como eram alegres aqueles momentos quando acreditava na vida. Para não esquecer nunca mais como é dançar no meio da noite com um estranho gosto de inocência de um amor que nunca experimentei.

domingo, 29 de junho de 2008

Fim da estrada


Lembra aquele dia que nos encontramos no fim daquela estrada? Quando ainda achávamos que o mundo não acabava ali? Pois é, hoje estive lá para ver se te encontrava, mas o dia passou e vc não veio. Sentei naquela mesma pedra, último refúgio sólido desse caminho, e me deixei ficar ali vislumbrando o que o sol queria dizer para mim. Mas ele não disse nada, foi andando de soslaio, tranquilo para sua cama de montanhas zombando da minha solidão. Não queria nada de mais, só sentar na beira deste abismo, olhar nos seus olhos e deixar para trás esse mundo como sempre imaginamos. Então a lua apareceu longe e eu pude entender que vc não viria mais, foi buscar outros mundos deixando-me apenas as estrelas para me guiar de volta daquele lugar.

Por mais esta noite


Ontem a noite acabou com uma lágrima que não quis cair e hoje o dia nasceu com ela despencando de meu coração. Caótico estar, em um lugar isento de afeto, carinho ou quem sabe ao menos um toque afável de uma mão caridosa. Um dia encontrei um lugar para ficar enquanto via minha vida passar, então me deixei ali ficar como se nada fosse possível de me atingir mas longe disso vi despencar dentre nunvens um luar sombrio para estragar de vez com a solidão de mais uma noite escura. Lá fora parece um campo de batalha onde crianças correm num jardim de flores sem se importar com os espinhos que um dia vão deixar cicatrizes profundas. Acabo-me aqui dentro deste apartamento, com a paz que insiste irritantemente a me lembrar o quanto eu estou sozinho, que me olha nos olhos e com flechas envenenadas de curare me paralisam em frente a porta com medo de sair. Ando por ruas que não são conhecidas só para esquecer a monotonia de mias um dia que se passou. Então fecho a janela do meu quarto, impeço que a luz de uma estrela venha me guiar e deito em minha cama com mais uma lágrima nos olhos preste a cair.

sábado, 28 de junho de 2008

O dia em que conheci o Bicho-Papão


"Na época era mais fácil tolerá-lo. A relação entre as sequelas e o abuso ainda era ignorada. Hoje é diferente. Tenho conhecimento de que as sequelas foram produzidas ou agravadas naquela madrugada. O abuso é o denominador comum de quase todos os meus problemas. Há dias em que desejo alojar uma bala na coluna cervical de Nícolas e deixá-lo tetraplégico. Mas isso agora não interessa. O assunto era outro." (trecho extraído do livro O DIA EM QUE CONHECI O BICHO PAPÃO de Ricardo Dabo)





Não preciso dizer mais nada. Uma noite, uma tarde, até alguns minutos são capazes de criar um estrago tão grande, que vc tem a exata sensação que não vai mais para para o inferno quando morrer, pois vc acabou de ser morto ali e seu inferno já começou. No começo vc só sente uma vergonha imensa, vc se sente sujo, o ser mais miserável que existe, mas não sabe o porquê. Vc então tenta esconder ao máximo que isso possa ter acontecido, inclusive de vc mesmo. Então vc passa a esconder seu olhar para que ele não denuncie o ser imundo que vc se tornou. Os pesadelos vem te atormentar a cada noite e o pavor faz com que vc deseje nunca mais dormir. O medo se torna seu companheiro inseparável. Confiar em alguém novamente, esqueça! E isso é só um milésimo de segundo do tempo que vc ainda vai descobrir ao longo de sua vida, pq vc ainda não entende o que aconteceu. Com o passar dos anos, a cada nova descoberta sobre a sua sexualidade, ao invés de ser comemorada como um rito de passagem, vc se esconde cada vez mais, se sente cada vez mais sujo e começa a entender que por mais que vc se lave com qualquer produto isso vai estar sempre impregnado em vc. Daí em diante entra a parte mais explícita das consequências: isolamento, depressão, tentativas de suicídio... ; porém mesmo sendo tão explícito assim vc só recebe como resposta um olhar de pena ou de repreensão por ser tão dramático enterrando cada vez mais nessa cova que um dia vc entrou. A cada vez que ouço uma pessoa dizer que isso é uma bobagem que ficou no passado, que já faz tento tempo, que tenho que esquecer, que tenho que pensar só no meu futuro, que estou fazendo uma tempestade num copo d'água, gostaria de injetar direto nas veias dessa pessoa toda dor que sinto a cada momento que estou sozinho e tenho lidar com minha mente insistindo em me lembrar cada segundo do que aconteceu.


Enfim, não estou aqui para listar ou explicar as consequências do abuso sexual infantil, mas sim para dizer que se alguém, algum dia, quiser saber mais sobre este assunto, não deixe de ler O DIA QUE CONHECI O BICHO PAPÃO, um livro que conta como um criança, um menino, foi seduzido e abusado por um adulto. Ao meu amigo Ricardo Dabo deixo aqui a minha admiração por toda sua coragem e sua luta em mostrar para o mundo o que é passar pelo abuso sexual na infância.


Título - O dia em que conheci o bicho-papão
Autor - Ricardo Dabo
Editora - Kelps
Preço - R$ 15
Onde Comprar -
http://www.saraiva.com.br/

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Mensagem a um irmão que está longe


Queria eu ter o poder de esticar a mão e te resgatar deste abismo. Trazer de volta o meu irmão, aquele que me mostrou um mundo em que a verdade vale mais do que qualquer coisa, sem julgamentos ou jogos para fingir que a dor não existe. Mas ele está tão longe... num mundo muito escuro, no nada. Se encontra perdido na falta de um sentimento, na desordem daqueles que não conseguem voar.Mas como um ser humano limitado, não consigo alcançá-lo.
Queria eu lhe resgatar, tirar toda dor que lhe consome e lhe restaurar a paz de um menino ao dormir. Que pretensão a minha achar que um dia poderia ajudar um anjo a voar. Resta-me a cada noite, antes de dormir, lhe dedicar uma prece, para quem sabe assim, algum dia, ele possa ouvir minha oração e desperte desta escuridão.