segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Tudo bem, ainda estou aqui.

De repente vida segue por uma estrada sem fim. A derrota se torna mais evidente do que as conquistas no fim do dia. Estranho chegar em casa e perceber como tudo foi tão mecânico, sem emoção, sem vida. A cabeça dói, o corpo grita por repouso e os olhos pesam. O único refúgio se encontra no quarto escuro, na cama desarrumada, no silêncio da solidão. Porém, há uma vida que não para. Então vc se esconde. Engole a seco o amargo gosto da decepção, estampa um sorriso de plástico no rosto, respira fundo para suportar a angústia que queima no seu peito, continua com suas obrigações de ser humano "normal" e espera. Espera cada hora passar, espera a noite ter fim, espera o dia nascer e ver tudo começar da mesma forma nesta estrada sem fim. 





quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Partidas e chegadas

Estou cansado deste ir e vir, 
chegar e partir, 
malas a fazer 
e um sentimento de mudança em cada passagem comprada. 
Em cada lugar sou outra pessoa. 
Mascaras que se sobrepõem, 
que rasgam a pele e faz sangrar a alma
e o vazio de nunca encontrar alguém que seja eu.



domingo, 13 de agosto de 2017

Renascimento

 Longo tempo sem me descrever. Algo como se o mundo parasse aos meus pés e diante do abismo que tinha a minha frente me joguei. Cai num longo espaço de tempo. Despedacei minha alma em pedacinhos pequenininhos. Hoje volto aqui para, de alguma forma, juntar os cacos e refazer a minha vida. Pretendo esse ser um recomeço, como o nome que recebi quando nasci: Renato (nascido de novo). Não sei se já contei a vcs, mas o nome deste blog, vem de algo que aconteceu há muito tempo e que ficou gravado em minha mente. No meu quarto, na casa dos meus pais, havia um lugar que ficava entre o guarda roupa e a parede. Um canto onde a luz não conseguia chegar e era ali que eu me escondia quando queria ficar só. Quando saí da casa dos meus pais, carreguei este lugar dentro de mim. Pode até parecer que isso seja ruim, mas era neste lugar que eu conseguia nascer de novo. Por isso que hoje volto aqui, neste CANTO ESCURO DO MEU QUARTO.


Consulta médica

Ele foi diagnosticado como: INICIALMENTE INCURÁVEL. 
De um modo estranhamente comum, deu-se uma reviravolta em torno de si mesmo.
Girou de lá,
girou de cá,
cambaleou 
e inutilmente caiu no mesmo lugar.
Dali não levantou mais.
Sendo levado ao hospital foi,
internado,
entubado,
engessado.
E foi aí que o médico diagnosticou: FINALMENTE INCURÁVEL.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Egoísmo

Hoje eu resolvi chorar como a muito não conseguia. Tranquei lá fora toda imensidão de mágoas e tristezas que tremiam meus nervos e sufocavam minha voz. Foi assim que desisti de criar e entender o que se passou dentro de mim . Renunciei meu passado de dor, entreguei minha vida ao luar e hoje caminho sozinho num mar de ferozes momentos de lucidez. Foi de propósito que deixei queimar o meu interior, trazer das cinzas qualquer resquício de mim e resgatar numa marcha fúnebre o meu desgarrado momento de ser feliz. Digam o que disserem este sou eu e nunca mais vou me perder de mim.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Palavras: armas e remédios


Tem palavras, que vem ao seu encontro como setas que cortam a pele, passam de raspão, machucam por instante, mas basta virar as costas e ir de encontro a vida que sem vc menos perceber elas se curam sem deixar um mínimo de vestígio, e a vida continua.
Tem palavras, que são facas afiadas e rasgam a carne como um golpe sem esperar, que assustam pelo ato, pelo sangue que escorre, que causam um dor penetrante e provocam uma ferida aberta, mas que com o tempo se curam e deixam apenas uma cicatriz para vc se lembrar em ter mais cuidado quando estiver na mesma situação, e a vida continua.
Tem palavras, que são balas atiradas a queima roupa, que atravessam todas as camadas de proteção que vc adquiriu em sua vida e penetram fundo até a alma causando feridas fétidas e necrosantes que consomem sua força vital e congelam o coração, e aí a vida para...


No entanto, nenhuma palavra-arma é capaz de ser mortal diante da palavra-remédio. Essas palavras não são fabricadas em nenhum laboratório de alta tecnologia, não existe nenhuma receita escrita em livros e não se adquire em nenhum consultório. Elas estão por aí sendo preparadas no coração das pessoas, sendo refinadas com suas experiências e misturadas ao mais eficiente princípio ativo que existe: O AMOR. Elas não vem em cápsulas ou compridos. Elas saem facilmente da boca daqueles que te amam ou até mesmo de um estranho qualquer. Elas não tem uma posologia. Podem ser tomadas por horas a fio numa conversa de botequim, quando se está esperando um ônibus e no caso mais comum: a gente precisa conversar. Seu efeito as vezes é imediato, em outras leva-se algum tempo até que ele seja percebido, mas o resultado é sempre o mesmo: a cura de todas as feridas para que vida nunca pare.



 

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Cansado






" A gente corre. Para ganhar ou perder a vida? Resta cantar aquele velho Roberto Carlos.






(...)Essa escassez de tempo está clara agora, pouco mais de nove horas da manhã de segunda-feira, na desordem absoluta sobre a escrivaninha. Pilhas de cartas não respondidas, livros que só comecei a ler e não consigo terminar (uma Susan Sontag aqui, um Edmund Wilson ali), se olhar para o lado, há pilhas de discos não ouvidos (conseguisse alguns segundos para aquele U2, aquele Raul Seixas...). E A VIDA GRITANDO NOS CAMPOS .


Os amigos se queixam: você não telefona, não aparece. Tem gente que pede release, reportagens, textos os mais diversos, apresentações para exposições, ler originais, e os que exigem coisas do tipo: você não vem ver a minha peça? Como bom ascendente Libra, não sei dizer não. Digo sempre sim, depois não consigo cumprir. Cobram, cobram. Ultimamente , toda vez que o telefone toca, já sei: é alguém pedindo alguma coisa. Têm me pedido muito, ultimamente. E dado pouco. Normal: gente é assim mesmo.


Agora você me pergunta: bom, e daí? Daí que ando cansado. Hoje estou me permitindo escrever sobre este cansaço indivisível, sobre minha falta de tempo, sobre a desordem que instaurou em minha vida. Por trás disso tudo, o mais perigoso espreita: a grande traição que estou cometendo, todo dia, comigo mesmo. Porque escrevendo assim, para sobreviver, não escrevo o que me mantém vivo - outras coisas que não estas.


O relógio avançou. Já cheguei nas minhas cinquentas linhas semanais. Amanhã vamos embrulhar peixe na feira. Tomo um café, acendo um cigarro. Durante um minuto, fico pensando sem parar.


Parar como param os monges budistas. Parar e olhar. Só um minuto. Pronto: agora tenho que sair correndo outra vez para ganhar a vida. Ganhar ou perder? Eu sei a resposta. Mas posso cantar baixinho um velho Roberto Carlos, aquele assim: "Querem acabar comigo/ isso eu não vou deixar". Juro que não"










Este é um fragmento de uma crônica escrita por Caio Fernando Abreu no jornal O Estado de São Paulo em 29/04/1987, e que faz parte de uma coletânea de crônicas que ele escreveu nesta época e que foram juntadas no livro A VIDA GRITANDO NOS CANTOS da Editora Nova Fronteira, e que me foi dado como presente no dia 11/11/2012. Só que não foi um presente qualquer, pois este texto que foi transcrito aqui, significa nada mais o que foi a minha vida nos últimos-vários-meses e que não conseguia transcrever de maneira nenhuma. Você deve estar se perguntando: e daí? E daí que nada. Só queria deixar registrado aqui um pedaço da minha vida que estou lutando para mudar, reverter todo esse cansaço, que se instaurou em mim por conta do sobreviver, fazendo com que eu me esquecesse do mais importante: o viver.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Dia de chuva

De repente tudo parece igual:
Insensível,
Indolor,
Inodoro,
Incolor
E todas as nuvens do céu despencam de uma vez sobre meu travesseiro.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Eu só queria ser bom





Hoje eu só queria estar puro,
mas há uma mancha que não sai do meu coração.
Hora errada. Decisão errada. 
Por que eu não gritei?
"_ NÃO!"
Quando me questionam sobre a morte, posso dizer com toda certeza:
"_Não tenho medo dela".
Aos 8 anos de idade, 
numa tarde de verão ensolarado,
num fundo de um quintal,
apostei um jogo com ela e ... perdi.
Hoje sigo comendo, bebendo, respirando, pensando e até tentando amar. Mas amar só é permitido aos que estão vivos e que tem uma alma limpa. 
Um dia vi um menino dizer em confissão: 
 "_Ele disse que eu era um bom menino... mas não consigo me sentir bom."
Sim eu sei o que ele quis dizer, 
sim eu sei o que ele estava sentindo, 
sim eu sei que por mais que digam o contrário ele nunca se achará um menino bom...


...pois eu também já estive lá...


... e também me disseram que eu era um bom menino.


Este texto foi escrito a um bom tempo e ficou guardado pois não sentia que ele estivesse pronto para ser postado, mas a uns dias atrás revendo alguns textos guardados percebi que era a hora de postá-lo. Não pergunte porque eu senti que ele deveria ser postado agora, apenas sinto isso. A imagem que ilustra este post e as falas do menino são do filme O Inferno de São Judas (Song for a Raggy Boy), que foi a grande inspiração para escrevê-lo. Espero que gostem.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Untitle #18

Tenho um amor...
que me sufoca a boca com beijos,
que fareja meu corpo como um cachorro louco,
que me liga quando a saudade aperta, 
que me proteje quando a noite chega em minha cama,
que fala um monte de besteiras só prá me fazer rir, 
que tira a minha razão só com o olhar,
que teima, teima e teima.... 


...em simplesmente me fazer lhe amar.